No dia internacional da mulher, muitas pessoas – uma quantidade impressionante, incluindo outras mulheres – usam a data para destilar comentário sexistas e com teor de ódio. Não, não precisa nos dar flores, chocolates e nos elogiar (apenas hoje) sobre como somos ótimas em nossos papeis sociais de “belas, recatadas e do lar”.
Não é dia para comemoração: comemoramos causas ganhas e as mulheres ainda ganham menos, ocupam poucos cargos de chefia e ainda são oprimidas, conceituadas e acusadas por serem mulheres. É dia de colocarmos em pauta assuntos relevantes de igualdade, de tolerância... dia da ONU, dos movimentos sociais, pessoas no geral, debaterem e tentarem achar meios para solucionar os problemas existentes, dia de desconstruir conceitos, discutir sobre os paradigmas ainda arraigados nas nossas mentes, quebrar estereótipos da nossa cultura e construir novos: o papel da mulher na sociedade atual.
Dia de olharmos mais de perto que os direitos das mulheres não são reações desproporcionais, exageradas e carregadas de “mimimi”. Sobre quebrar essa premissa opressora e milenar, conscientizar as pessoas, incluindo outras mulheres, de que não: não é apenas obrigação da mulher cuidar da casa, dos filhos, cozinhar e trabalhar para ajudar no sustento da família enquanto seu parceiro chega cansado, se estica no sofá e pede para você trazer um aperitivo.
É sobre esclarecer que assédio não é elogio; que presentes depois de serem espancadas não representam obrigatoriedade de perdão; que abusos emocionais ainda são sofridos de forma alarmante e precisam ser combatidos. Lutar pelas mulheres não é querer hegemonia feminina oprimindo a masculina já existente, não é ser obrigada a abortar, não é deixar a axila com pelos e ser induzida a gostar sexualmente de outras mulheres: é por igualdade, por liberdade de escolha, por deixar sim pelos a mostra se assim se sentir bem; sobre não esconder o corpo porque ele não reflete o padrão exigido pela mídia e pela sociedade do que é o belo. É sobre não ser obrigada a usar rosa, brincar de boneca, casar e ter filhos para se sentir completa – e fazer tudo isso se assim desejar.
Publicado por: Pâmela Martins
Sobre manter vivo que em 1911 a fábrica da Triangle Shirtwaist
foi consumida pelo fogo, resultando em mais de uma centena de mulheres mortas devido a precariedade; que diversas greves e lutas por igualdade de salário para mesma função e melhores condições de trabalho, foram reprimidas severamente.
Que 42% dos homens acreditam que “mulheres que se dão ao respeito, não são estupradas” – meninas que são abusadas sexualmente pelo próprio pai ou familiar não concordam com essa crença. Que a cada 11 minutos uma mulher é estuprada no Brasil. Que a cada ano mais de um milhão de mulheres são vítimas de violência doméstica em nosso país. Que teve um aumento de 54% dos homicídios nos últimos 10 anos contra mulheres negras. É sobre lutar pelo direito de estar viva e de ser mulher.foi consumida pelo fogo, resultando em mais de uma centena de mulheres mortas devido a precariedade; que diversas greves e lutas por igualdade de salário para mesma função e melhores condições de trabalho, foram reprimidas severamente.
Publicado por: Pâmela Martins


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